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Covid-19 transforma vida de profissionais de Saúde em Itu Por: | 28 jun 2020 | 178 visitas
“Não fico próxima dos meus pais, nem da minha filha. Um beijo sequer posso dar”, relata a técnica de enfermagem, Jessica Fernandes, de 31 anos.
(Foto: Reprodução)

O Novo Coronavírus transformou o cotidiano e introduziu novos hábitos para a população em todos os lugares. Cientistas apontam, inclusive, que mesmo quando o momento epidemiológico atual for superado existirá um “novo normal”, diferente do que tivemos num passado recente. A doença alterou os relacionamentos, impulsionou encontros e reuniões on-line, potencializou novas maneiras de comércio e até mesmo os protocolos de atendimento no sistema de saúde.

Médicos e enfermeiros, que estão na frente de batalha contra a Covid-19 também tiveram suas rotinas diárias completamente modificadas. Os cuidados precisam ser mais intensos, afinal estão tratando de pacientes infectados por um vírus novo, sobre o qual ainda se sabe pouco e se aprende, a cada dia, algo diferente.

Para a técnica de enfermagem, Jessica Fernandes, que trabalha na ala de tratamento do coronavírus, em Itu, são muitas as dificuldades encontradas no dia a dia. “A principal dificuldade que enfrentamos é o paciente aceitar que está com a doença. A família também sofre desse problema. Há pessoas que ao saber o diagnóstico ficam com muito medo e nem se alimentam direito. Isso é muito triste. A gente conversa e explica a importância de uma boa alimentação para que recebem alta médica e possam se recuperar em casa. Mas infelizmente, às vezes não é isso que acontece”, comenta.

“Infelizmente as pessoas continuam nas ruas como se nada estivesse acontecendo. Há quem ainda trate a situação como política, quando é um caso de Saúde Pública. Existem aqueles que se acham imunes e pensam somente em si mesmos. Cada um deveria pensar bem antes de sair de casa. Nós profissionais da Saúde estamos tentando conter o vírus, mas precisamos da colaboração de toda a população”, comenta.

No início da pandemia, em meados de março deste ano, a Covid-19 não tinha rosto e nem nome. A cada dia que passa ele está mais próximo das pessoas. Em geral, todos conhecem ou sabem de alguém que ficou doente. Para algumas famílias o drama é ainda maior, pois os números de mortes vêm crescendo. Para a técnica de enfermagem, atitudes impensadas têm contribuído com as estatísticas.

“Algumas pessoas estão perdendo familiares por conta da irresponsabilidade de alguns que realizam festas, aglomerações desnecessárias. O Brasil é o país que mais perdeu profissionais de Saúde no mundo. Isso é muito triste”, lamenta.

Segundo ela, a principal mudança para quem trabalha na área da Saúde são os cuidados dentro dos hospitais. “A maior dificuldade é ter que se paramentar toda, vestir touca, óculos, face shiel (viseira), luvas e avental para entrar no isolamento. Quando é necessário sair para buscar algum insumo necessário, temos que retirar tudo e antes de entrar, repetir tudo novamente”, explica.

Porém o que mais a entristece é conviver com o medo de levar a doença para dentro da própria casa. Jéssica explica que mesmo com toda segurança no trabalho sempre há o receio da contaminação o que tem transformado o convívio não apenas dela, mas dos profissionais da área.

“Não fico próxima dos meus pais, nem da minha filha. Não os abraço mais, não converso. Um beijo sequer posso dar. Sinto falta de sentar à mesa para o café da manhã ou jantar, coisas simples que aprendi a valorizar, principalmente depois de iniciar na área da enfermagem. Dentro do hospital, onde vemos a morte de perto, aprendemos a dar valor aos mais singelos momentos, pois a vida é curta”, lembra.

Para ela, as principais recomendações quanto à doença é prestar atenção aos sintomas de gripe, observar sinais vitais e cansaço físico. “Aos primeiros sinais procure a unidade de saúde mais próxima de sua casa, utilizando máscara. O pronto atendimento deve ser procurado em casos extremamente necessários para evitar a contaminação ou até mesmo de contrair a doença, pois são locais mais propensos à circulação do vírus”, explica.

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